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Notícias da Região | Curitiba

Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

Acampamento pró-Lula provoca choque de realidades em Curitiba

Saiba quem são os acampados, quem paga as despesas e como os moradores reagem

 (Foto: Franklin de Freitas) 
Bem Paraná

Por dia, em média, 2 mil pessoas que passam pelo acampamento pró-Lula, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Até então, a região era considerada tranquila, pacata, com maioria dos moradores formada por aposentados ou famílias que herdaram terrenos e casas de imigrantes poloneses, silesianos e prussianos, bem como, algumas famílias de imigrantes suíços e franceses. O bairro colônia, fundado em 1875, agora está diferente, movimentado e virou palco de um choque de realidades políticas e sociais. Tudo começou desde a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sede da Polícia Federal, no dia 7 de abril.

A região elevada, de ruas sinuosas, com casas de classe média, batizada em menção à Cândida de Oliveira, esposa do então presidente da província, Adolpho Lamenha Lins, se transformou no ‘centro de resistência’ de partidos e movimentos de esquerda. A presença, no entanto, gera, além de curioso choque de realidades, transtornos a moradores tradicionais, em especial aos ideologicamente convictos. Todos os insatisfeitos ouvidos pela reportagem já adotavam posicionamento político contrário à causa dos novos inquilinos do bairro.

“Não preciso nem dizer, né? (Sou) totalmente direita. Passou da hora de mudar o sistema do País. Tenho uma vida inteira de militarismo”, diz o morador de uma das esquinas que agora é uma das mais movimentadas do bairro. Ele pediu para não ser identificado. “Se eu me identificar eles vão saber quem eu sou e aí a coisa pode ficar feia. Saiba que aonde vocês (repórteres) forem ‘eles’ vão seguir. Desde que você chegou, ‘eles’ estão ali”, disse o desconfiado militar da ativa, apontando para um trio a alguns metros dali.
Para o morador, que compara o MST à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), um conflito mais grave pode acontecer a qualquer momento no bairro. “Eles são organizados ao ponto de só ficar a ronda de segurança deles, com colete de ‘disciplina’, como ‘disciplina’ do PCC”.“Isso aqui é um barril de pólvora. A hora que um morador perder a razão vai ser ruim pra todo mundo. A partir das 10 horas tem cantoria, com violão. Incomoda”, reclama.

A preocupação do militar, que a organização da vigília garante ser infundada, abrange também as crianças. “Tem que sair com as crianças escoltadas. A criança não se sente segura. Ninguém se sente seguro. As pessoas normais se sentem seguras por si só. Não é uma aparência, pela pobreza e pelo jeito que eles são. É muita gente num lugar só. Transmite insegurança. Não é local pra ter pessoas aglomeradas. Quando esquenta sobe o cheiro. Dentro de casa chega o cheiro”, gesticula.
Em uma das esquinas, onde estão instalados nove banheiros químicos, na última quinta-feira (12), o caminhão que faz a remoção de resíduos derrubou parte dos dejetos no meio da rua. Apesar do esforço do responsável para lavar a rua com um produto químico, o cheiro forte se espalhou pela rua.
A declaração do moradora também encontra respaldo quanto à circulação de estudantes. Eventualmente, em dias da semana, alunos do Colégio Estadual Santa Cândida, alheios às conclusões do vizinho, passam pelas ruas. Embora haja exageros em observações da vizinhança, mesmo os moradores mais ponderados, como o aposentado Edson Balzer, 58 anos, confirmam sofrer com a permanência dos manifestantes.

“No primeiro dia foi mais complicado. Mas, sim, já foi dito que eles recolhem lixo, varrem a rua, não têm deixado sujeira. É verdade. Mas o problema é da bagunça. Eles passam pra lá e pra cá. Eles passam 24 horas atentos. Chega o batuque deles. Acorda por causa do cachorro. O vizinho (ao lado, que ajuda os manifestantes) abriu para eles recarregarem celular. Daí eles vêm carregar o celular. A gente acorda por causa da conversa deles. De madrugada”, reclama.

Os acampados
Quem forma a massa do acampamento    
Sindicalistas de São Paulo 
Metalúrgicos do ABC, Porto Alegre, Pelotas (RS) e Canoas (SC), Concórdia (SC) e Chapecó (SC)
Movimentos de Minas Gerais 
MST do Interior do Paraná 
Integrantes da União Nacional por Moradia Popular (UNMP)
Frente Brasil Popular (FBP)

(Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Bem Paraná

COMENTÁRIOS

Antônio lima - 16.04.2018 - 15:121
Nisso eles são bons, vê se tem carteira de trabalho? São filhos do sistema criado pelo lixo chamado Lula

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