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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

Cherna rebate preconceito e se diz fortalecida após críticas: "Não quero ser a coitadinha"

Única mulher indicada como melhor jogadora de Rainbow Six Siege no Prêmio eSports Brasil, ciberatleta ganha apoio de concorrentes

A indicação ao Prêmio eSports Brasil de 2018, como uma das melhores jogadoras de Rainbow Six Siege do país, poderia ser o auge da carreira de Danielle "Cherna". Porém, a ciberatleta de 18 anos tem vivido um pesadelo desde então. Diversos comentários tóxicos, repletos de machismo e preconceito, tomaram conta das páginas da jogadora nas redes sociais desde então.

A organização do evento fez questão de repudiar os ataques, em nota oficial. O Prêmio eSports Brasil, maior do setor na América Latina, é uma iniciativa do Grupo Globo em parceria com a Go4It. No dia 19 de dezembro, em São Paulo, os melhores em 16 categorias diferentes serão premiados na segunda edição do evento.

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A reportagem do SporTV.com foi a São Pedro, cidade no interior de São Paulo, localizada a 200 quilômetros da capital, para ouvir Cherna. Afinal, como está o psicológico da garota diante da constrangedora situação? Após chegar a declarar que se afastaria das redes sociais, a profissional de Rainbow Six se mostrou firme.

- Com o crescimento do cenário, surgiram muitas pessoas ruins. Eu fui indicada como uma das melhores atletas de Rainbow Six Siege e falam que é só porque o evento é da Globo, e eu sou negra e mulher, que fui indicada. Fico muito feliz por estar representando as mulheres nesse prêmio. Independentemente dos comentários ruins, eu não vou parar - afirmou, em entrevista exclusiva.

- Eu estou jogando, e as pessoas estão desmerecendo. Os que me prejudicaram muito meu psicológico foram os que disseram: "Você não sabe jogar, você está aí há três anos aí porque é idiota, não merece nada do que está tendo". Eu vejo todo meu trabalho, desde o começo do Rainbow Six. As pessoas não estão nem aí, e isso me prejudica muito. Não queria ter essa fama. Não quero ser a coitadinha do prêmio. Quero ser uma jogadora que merece estar lá.

Cherna acredita que a postura misógina de muitos fãs de esportes eletrônicos é reflexo de uma falha educacional, que conduz a sociedade a não aceitar uma mulher em um meio predominantemente masculino.

- As mulheres sofrem com machismo no esporte eletrônico, mas estamos mudando isso. Uma resposta, pra mim, vem desde a infância, que menina tem de brincar de boneca, e menino de videogame e bola. Isso tudo está mudando, e as pessoas ficam revoltadas, acham que não é certo. Acham que mulher tem de lavar louça e cuidar da família - argumentou.

- Eu não estou jogando e treinando à toa. Minha meta é jogar uma Pro League e provar que eu posso. Agradeço muito esses comentários ruins, porque estão me fortalecendo muito.

Cherna recebeu o apoio de diversos nomes do cenário, como João Gabriel "yoona", da FaZe Clan, equipe que é, atualmente, bicampeã brasileira e também da Pro League da América Latina. Os jogadores da organização, que lutarão pelo título mundial do game no Rio de Janeiro a partir de sábado, também se manifestaram em apoio à ciberatleta.

- Ela ainda não teve a chance de provar seu valor, mas é legal que isso tira o paradigma de ser um esporte masculino. Nos Estados Unidos temos time misto. É bom incentivar isso. Tem gente sem noção em todo lugar. No jogo, na política... Fico triste porque tem alguém ali do outro lado. Não é porque você está na internet que pode sair falando o que quiser - opinou Gabriel "cameram4n", outro dos oito candidatos ao mesmo prêmio que Cherna disputa.

Na contramão das críticas recebidas na internet, Cherna tem recebido forte apoio da família. Os pais já asseguraram que vão comprar um computador com equipamentos ainda melhores do que a ciberatleta tem atualmente, para que ela possa evoluir o próprio desempenho, e a estimulam na carreira.

Concorrendo com sete homens, Cherna aposta em André "Nesk", da Team Liquid, como vencedor do prêmio. No ano passado, Leonardo "Zigueira" levantou o troféu de melhor no Rainbow Six Siege brasileiro.

- O Nesk vai ganhar. Ele é sensacional, um jogador esplêndido. Eu bato palmas para ele - disse Cherna.

Após deixar a BootKamp, a ciberatleta disse que deve divulgar em breve os novos caminhos que seguirá na carreira. A ideia é disputar competições mistas, e não somente femininas, para colocar à prova a própria capacidade.

Globo Esportes

 

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