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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019

Ladrões usam patinetes para roubar pedestres e ciclistas em São Paulo

Agilidade do veículo, que atrai cada vez mais usuários nas ruas da capital paulista, é explorada para atacar vítimas. Acidentes também preocupam.

O número de adeptos de patinetes em São Paulo está cada vez maior. Nos últimos meses, cresceu bastante a quantidade de pessoas rodando pelas ruas da cidade sobre o pequeno e ágil veículo, especialmente em bairros onde há grande quantidade de ciclovias e ciclofaixas.

No entanto, o equipamento, que pode chegar a 40 km/h, já despertou o interesse de ladrões e tem exigido dos usuários, de ciclistas e pedestres ainda mais atenção, exatamente pela facilidade de deslocamento que proporciona.

Habitantes e frequentadores da região de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, onde o patinete é bastante utilizado, têm reclamado de constantes ataques por assaltantes que usam o veículo para perseguir as vítimas.

Foi o caso da publicitária Daniela Andreucci, que já precisou se esquivar das abordagens de suspeitos por mais de uma vez enquanto pedalava. A última tentativa de roubo ocorreu na Vila Madalena, durante o carnaval deste ano.

"Parei no farol da Rua Aspicuelta com a Rua Harmonia. De repente, vi um grupo de uns dez moleques descendo e, antes mesmo que eu pudesse pensar, um deles já estava do meu lado com a mão na minha bike. Consegui esquivar e, enquanto estava descendo a rua, com medo e tremedeira nas pernas pelo susto, escutei alguém me chamando. Quando olhei para o lado, era uns dos garotos de patinete me perseguindo", conta a publicitária.

Daniela também destacou o terror após um ataque, sem sucesso, praticado por três homens na ciclovia da Avenida Sumaré. A publicitária considerou as experiências vividas nos últimos meses traumatizantes e, por isso, decidiu abandonar o uso da bicicleta.

"Moro no bairro há 40 anos. Nunca vi isso acontecendo. Os patinetes motorizaram os maus intencionados. Eles estão usando para perseguir, bater de frente com as pessoas. Acho que, no geral, a situação está piorando. Mas, sem dúvida, o patinete deu uma vantagem para os ladrões", desabafou.

A advogada Tania Brunhera Kowalski, que trabalha em um escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, outro ponto onde há profusão de patinetes, conta que conseguiu livrar um estudante da abordagem de um grupo de meninos sobre patinetes.

"Estava saindo da lanchonete e vi um menino com uniforme correndo e tinha um patinete atrás dele. Como já conheço os meliantes, corri atrás do menino e o puxei para dentro da banca de jornal", contou a advogada.

"O coitado tremia. Os meninos que estavam no patinete pararam e quiseram vir para cima de mim. Então, o dono da banca saiu e imediatamente juntou um monte de pessoas. Todas, inclusive eu, dissemos que eles já eram conhecidos ali e que não roubariam mais ninguém.

Grupo conhecido

A advogada, que mora a menos de um quilômetro do trabalho, também em Pinheiros, afirma que o grupo responsável pela tentativa de assalto descrita já é conhecido por frequentadores da Avenida Faria Lima.

"Já vi vários assaltos com esses meninos. São sete, sendo que três não possuem mais que dez anos. O maior, na faixa de 13 anos, saiu correndo. O pequeno ainda ficou discutindo e xingando por um tempo, mas foi embora", lembrou.

Tania disse ainda que os garotos não andam armados, mas admitiu que correu riscos ao reagir à ação criminosa, mas justificou a atitude pela indignação com a frequência dos assaltos na região.

"Na hora, a gente não pensa. Na verdade, vejo esses meninos assaltando diariamente. Acho que estava com sensação de injustiça. Por enquanto, esses meninos não estão armados e foi por isso que socorri o estudante", complementou a advogada.

Acidentes também incomodam

Além do temor por assaltos, a nova febre dos patinetes também provocou outras dores de cabeça para o paulistano, como acidentes de trânsito, atropelamentos e quedas.

A médica veterinária sanitarista Andrea Basile de Faria teve o carro danificado depois que um menino bateu na traseira do veículo, também na Faria Lima, em um semáforo perto da estação Pinheiros do Metrô.

"Ouvi uma batida forte na traseira do meu carro, olhei pelo retrovisor e vi uma pessoa no chão. Não desci do carro, fiquei olhando o menino fugir com o patinete", frisou.

Fonte:  noticias.r7.com

 

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