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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2020

Participantes do projeto Meninas nas Ciências de Palotina são finalistas em competição nacional

Correio do Ar

Criar uma solução inovadora para um problema real em uma situação concreta. Para responder a esse desafio, três alunas de um colégio agrícola de Palotina, participantes do projeto Rocket Girls: Meninas na Astronomia e na Astronáutica, criaram um minifoguete para reflorestar áreas de difícil acesso. O projeto está entre os dez finalistas do Prêmio Respostas para o Amanhã, divulgados na última quarta-feira (07).

As estudantes Estephany Cristine da Silva Alves, Kawany Caroline Duarte da Rocha e Marina Grokorriski, do 1º ano do Ensino Médio, desenvolveram o protótipo de um minifoguete com cano de PVC para lançar sementes e reflorestar áreas de difícil acesso. A ideia nasceu no final do ano passado, durante as atividades da parceria entre o Colégio Agrícola Estadual Adroaldo Augusto Colombo e o projeto Meninas nas Ciências, do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná.

O Projeto Meninas nas Ciências, intitulado Rocket Girls: Meninas na Astronomia e na Astronáutica, começou em 2018, é coordenado pelas professoras Mara Fernanda Parisoto e Paola Cavalheiro Ponciano, do Setor Palotina e tem financiamento do CNPq. A professora Mara explica que, durante a formação nas escolas, as três alunas do colégio agrícola começaram a fazer o minifoguete. A partir de abril, começaram a construir o minifoguete com intuito de reflorestamento.

As adolescentes tiveram a ideia do dispositivo após um incêndio atingir mais de 60% do Parque Nacional de Ilha Grande, no noroeste do Paraná, em agosto de 2019. Orientadas pelo professor Emmanuel Zullo Godinho, do colégio agrícola, e pela professora Mara, as estudantes construíram um foguete com materiais simples e com custo de R$ 50,00. A intenção era produzir algo barato e efetivo, que pudesse ser facilmente disseminado.

Inspirado nos pássaros, que soltam sementes durante o voo, o minifoguete utiliza pilha como combustível e cria uma espécie de chuva de sementes. O protótipo chega a subir até 300 metros. A peça com os grãos se desencaixa e desce até o solo, espalhando sementes de pitanga e ipê branco, nativas da região do parque.

Os minifoguetes devem ser lançados no período de chuvas, no verão de 2021, época propícia para germinação das sementes, como explica o professor Godinho. O grupo considera também não lançar o minifoguete em locais de seca para não haver risco de incêndio com as faíscas do lançamento. E, após o lançamento, é preciso retirar da natureza os componentes que se desprendem durante o voo.

Em uma área historicamente dominada por homens, a classificação é um concurso de ciência e tecnologia é um incentivo para as alunas. “É uma grande conquista ter um projeto desse com estudantes mulheres. Vemos que estamos ganhando espaço em um lugar que é predominantemente de homens, isso é muito bom”, diz Estephany.

O prêmio Respostas para o Amanhã, promovido pela Samsung, recebeu 1,7 mil trabalhos de todo o Brasil. O projeto “Reflorestando utilizando minifoguetes: pitangas e ipês” foi o único do Paraná a ser escolhido e está entre os dez finalistas. O colégio agrícola e o professor receberam computadores por passarem pela fase semifinal. As alunas também foram premiadas por passarem para a fase final. Em novembro devem ser anunciados os três projetos vencedores e o vencedor na escolha popular.

Do início ao lançamento do minifoguete
A necessidade de se criar um grupo de incentivo à participação de mais meninas nas ciências exatas surgiu da primeira equipe de minifoguetes do Setor Palotina. O projeto Palorocket, iniciado pelos alunos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, Igor Prochnow e Wesley Dias de Almeida, foi precursor do Meninas nas Ciências. Na época, a participação das meninas na construção dos foguetes era mais voltada para a estética dos dispositivos.

A classificação na fase final do Respostas para o Amanhã é o resultado do trabalhos das três estudantes do colégio agrícola, mas percorreu uma caminhada que envolve muitos participantes. A professora Mara expressa gratidão ao professor Carlos Marchi, do departamento de Engenharia Mecânica da UFPR, que iniciou o Festival Brasileiro de Minifoguetes. Ao professor Patrick Martins Menengazi, do Centro Educacional Batista em Casimiro de Abreu, criador do projeto de minifoguetes usando PVC. Agradece também ao professor Bruno Garcia Bonfim, do Instituto Federal de Assis Chateaubriand, que levou o projeto de minifoguetes usando PVC ao oeste do Paraná e fez formações e consultorias, orientando Gabriele Satiro e Raquel Satiro na formação docente do colégio Santo Agostinho.

O projeto envolveu ainda os ensinamentos de foguetes de papelão e paraquedas do professor Jonas Joacir Radtke, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e a formação feita pelo aluno do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, Gabriel de Sá, que trouxe a ideia de reflorestamento utilizando garrafa PET, precursor do projeto do minifoguete. O projeto Meninas nas Ciências “é um trabalho grande e amplo, formado por alunos da UFPR e das escolas. É um ponto positivo a aproximação ente universidade e escola, principalmente na parte interdisciplinar”, reforça Mara.

Nesse esforço conjunto, também participaram os alunos do curso de Licenciatura em Computação, Alex Alves Soares, Alessandro Felipe Grzesiuck e Juliano Jarbas Gomes, que fizeram o sistema de acionamento do paraquedas. As alunas do curso de Biologia, Letícia Mendes Lopes e Debora Aparecida Gonçalves, que ajudaram na coleta e seleção das sementes. Durante a fase de testes, de abril a setembro, período de estiagem que exigiu cuidados, a equipe contou com a agrônoma Gabriela Dotto, que cedeu o espaço. O processo teve também o trabalho de Douglas Lori Parisoto, que editou os vídeos para o concurso.

A premiação é um grande incentivo para todos os estudantes. “No curso de técnico em agropecuária, que é o que as meninas estudam, tinha poucas meninas, então é uma forma de incentivar as meninas também a ingressarem nessas áreas. Não só na Física, Química e Computação, que é prioritariamente masculina, mas também na área da técnica agrícola”, conclui a professora Mara

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