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Sexta-feira, 07 de Janeiro de 2022

Técnico cascavelense diz ser enganado e é impedido de deixar os Emirados Árabes

Convidado para ser treinador em Abu Dhabi, foi "registrado" como supervisor de vendas e barrado em Dubai

O técnico de futebol Cláudio Roberto Silveira, 46 anos, é natural de Cascavel e pede ajuda para voltar ao Brasil. O profissional vive uma situação que considera surreal nos Emirados Árabes. Ele é vítima de uma ação judicial movida pelo egípcio Mahmoud Alkmash, que é presidente e proprietário do clube Sport Support Club, de Abu Dhabi.

O clube fez um convite em agosto de 2021 para que Cláudio Roberto trabalhasse como técnico do clube na terceira divisão do país. O contrato seria de dois anos, até junho de 2023, e seria assinado quando o cascavelense chegasse em Abu Dhabi. Mas quando desembarcou nos Emirados Árabes em setembro, Cláudio teve uma surpresa desagradável. Ele disse ter sido informado por Mahmoud Alkmash que o seu visto de trabalho seria emitido para exercer a profissão de supervisor de vendas da agência de viagens Marengo Travel Agent e não de técnico de futebol.

Cláudio não aceitou a proposta do dirigente e alega que o processo foi feito sem o seu consentimento ou assinatura. Mesmo sem contrato com o Sport Support Club ele trabalhou por dois meses e meio sem receber salário e sem o cumprimento de outras promessas feitas por Mahmoud.

A situação se tornou desesperadora para o cascavelense depois que ele resolveu deixar o clube e voltar para o Brasil. Claudio Roberto estava no aeroporto de Dubai no dia 22 de novembro quando foi impedido de embarcar. O setor de imigração informou o técnico que Mahmoud Alkmash havia entrado com uma ação contra ele no Ministério do Trabalho e na Justiça do Trabalho dos Emirados Árabes. O dirigente alegou na ação que Claudio estaria fugindo do país sem a sua autorização. A ação teve como base o suposto vínculo de trabalho através da agência de viagens Marengo Travel Agent, que o técnico garante não ter assinado.

Outros sete brasileiros, dois integrantes da comissão técnica do clube e cinco jogadores, estavam com Claudio no aeroporto, também regressando ao Brasil, e conseguiram viajar naturalmente. No entanto, eles também enfrentaram dificuldades para deixar o país. Alguns tiveram o passaporte retido e só conseguiram a liberação depois de procurarem a polícia.

O dirigente egípcio exige mais de R$ 113,5 mil para liberar o técnico do país. Claudio acredita que a ação foi movida porque a saída dos brasileiros do clube gerou insatisfação em Mahmoud Alkmash. Apenas um acordo com o dirigente, para remover a ação, permite a volta do técnico ao Brasil. Segundo Cláudio, o problema é que o egípcio está irredutível e diz que só libera o cascavelense após o depósito do valor exigido.

O visto de visitante de Claudio Roberto expirou no dia 2 de dezembro e ele teme ser preso pelas autoridades locais. O técnico está atualmente hospedado na casa de um amigo em Dubai e recebeu a informação do Ministério de Relações Exteriores que consulados e embaixadas não podem representar brasileiros assistidos diretamente junto à justiça local. O setor consular da Embaixada do Brasil em Abu Dhabi disse que não presta serviço de assistência jurídica, assim como a embaixada em Dubai.

Cláudio é Pós-Graduado em Educação Física. Ele começou a carreira em Cascavel no ano de 2001 como treinador de goleiros do extinto Cascavel Esporte Clube. Ele também trabalhou como preparador físico e auxiliar técnico ao lado do professor Eloi Krüger. Claudio já passou por diversos clubes no Brasil e no exterior e dirigiu a seleção do Sri Lanka.

Redação Catve.com

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