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Notícias da Região | Facção criminosa

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026

Facção trocava cocaína por assinaturas para projeto de lei no Paraná, aponta Gaeco

O Gaeco identificou indícios de que integrantes da facção continuavam a comandar atividades criminosas mesmo após a prisão.

Uma facção criminosa é investigada por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que pretendia flexibilizar as regras de visitas íntimas e conjugais nos presídios. A investigação levou à segunda fase da Operação Umbra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta quarta-feira (28).

Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão. As ações ocorreram em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no interior de São Paulo.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), a organização criminosa estabeleceu uma campanha para reunir assinaturas em apoio à proposta de mudança nas regras do sistema prisional. Mensagens obtidas durante a investigação apontam que a meta era alcançar 290 mil assinaturas em todo o Brasil.

Para incentivar a coleta, integrantes da facção ofereciam porções de entorpecentes a pessoas que apresentassem assinaturas. O fornecimento das drogas ficava sob responsabilidade dos coordenadores dos pontos de venda.

Planilhas apreendidas pelo Gaeco detalham a quantidade de entorpecentes distribuída e a relação com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína correspondia a oito assinaturas. Dentro da organização, a prática recebia o nome de "trabalho de revertimento".

Irmãos comandavam estrutura criminosa

As investigações apontam que dois irmãos ocupavam posições de liderança na facção, com atuação principalmente na região de Londrina e em municípios do Norte do Paraná abrangidos pelo DDD 43.

Um deles exercia a função conhecida como "Geral da Região 43", responsável por transmitir ordens, controlar a disciplina dos integrantes e autorizar punições dentro da organização.

O outro ocupava o posto de "Final 100% do Estado do Paraná", com atribuições ligadas à administração financeira e operacional do grupo. Ele também seria responsável pela coordenação do tráfico de drogas na zona sul de Londrina.

Outros investigados atuariam na contabilidade da facção, no gerenciamento de pontos de venda de drogas, na negociação de armas de grosso calibre, incluindo fuzis, e na organização do chamado "tribunal do crime", mecanismo utilizado por organizações criminosas para impor punições.

Ordens partiam de dentro dos presídios

O Gaeco identificou indícios de que integrantes da facção continuavam a comandar atividades criminosas mesmo após a prisão.

De acordo com o MPPR, suspeitos recolhidos em penitenciárias do Paraná e de São Paulo repassavam ordens, negociavam armas e administravam a distribuição de drogas. Para dificultar o rastreamento, utilizavam linhas telefônicas registradas em nome de outras pessoas.

Por isso, parte das buscas autorizadas pela Justiça ocorreu dentro de unidades prisionais. Os policiais procuraram celulares, armas, drogas, dinheiro e documentos que possam contribuir para a investigação.

Duplo homicídio também é investigado

A apuração identificou ainda a possível participação de dois integrantes da facção em um duplo homicídio registrado em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná.

Segundo o Gaeco, o alvo do crime seria um homem ligado a uma organização rival. Uma criança também morreu na ação.

Um dos investigados por possível envolvimento no caso teria fugido para o Paraguai e permanece foragido da Justiça.

A Operação Umbra II é conduzida pelo Gaeco de Londrina. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal da cidade.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados à atuação da organização criminosa e ao tráfico de drogas.

Fonte: Portal Nova Santa Rosa por Catve.com

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