Notícias da Região | Guaíra
Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026
Feminicídio após cobrança de R$ 6 mil termina com condenação de 30 anos em Guaíra
Vítima de 55 anos foi asfixiada e teve o corpo escondido perto de uma estrada rural; júri também reconheceu ocultação e fraude processual
O Tribunal do Júri de Guaíra, no Oeste do Paraná, condenou um homem de 48 anos a 30 anos, quatro meses e 20 dias de prisão pelo feminicídio de uma mulher de 55 anos com quem mantinha um relacionamento amoroso. A sentença considerou também os crimes de ocultação de cadáver e fraude processual.
Denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), o réu foi responsabilizado pela morte da companheira e pelas ações praticadas posteriormente para esconder o corpo e dificultar as investigações. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pela Promotoria.
Segundo a denúncia, o crime ocorreu na manhã de 23 de outubro de 2024, na residência da vítima, no bairro Higienópolis. Naquele local, onde a mulher deveria encontrar segurança, o homem a asfixiou até provocar sua morte.
A agressão teria ocorrido depois que ela cobrou o pagamento de uma dívida de R$ 6 mil. Para o Ministério Público, a cobrança motivou uma reação que resultou no assassinato. A Promotoria sustentou que o feminicídio foi cometido por razões da condição de sexo feminino e por motivo fútil, no contexto de relações domésticas e íntimas de afeto.
Após matar a mulher, o condenado colocou o corpo no carro da própria vítima e deixou a residência. Conforme a acusação, ele seguiu até um ponto nas imediações de uma estrada rural, onde retirou o cadáver do veículo e o colocou no chão.
Em uma tentativa de impedir que o corpo fosse encontrado, o homem o cobriu com galhos de árvores e folhas. A ocultação prolongou por uma semana o período em que a mulher permaneceu desaparecida, até que seu corpo fosse localizado em avançado estado de decomposição.
O caso também envolveu a alteração do cenário do crime. Segundo o MPPR, o réu limpou o quarto da residência onde a vítima havia sido morta, retirando vestígios de sangue. A finalidade, conforme a denúncia, era dificultar o trabalho de investigação, conduta que fundamentou a acusação de fraude processual.
Quase dois anos depois do assassinato, o julgamento reconheceu a responsabilidade do homem pelos três crimes. A pena fixada reúne a punição pelo feminicídio, pela tentativa de esconder o cadáver e pela retirada de vestígios do local da morte.
O condenado já estava recolhido na Penitenciária Estadual de Guaíra. Ao término do júri, permaneceu preso para iniciar o cumprimento da sentença. A decisão encerrou o julgamento de um crime que começou dentro de uma relação amorosa e terminou com a vida da vítima interrompida e seu corpo escondido à margem de uma estrada rural.
Fonte: Umuarama News

















