Notícias da Região | Operações Clear Sky e Vera Cruz
Quinta-feira, 28 de Maio de 2026
Gaeco mira esquema milionário de corrupção envolvendo policiais no Oeste do Paraná
Operações Clear Sky e Vera Cruz investigam cobrança de propina, desvio de mercadorias, comércio ilegal de armas e monitoramento clandestino com drones
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou na manhã de hoje (quinta-feira, 28) as operações Clear Sky e Vera Cruz, voltadas à desarticulação de um esquema criminoso investigado por corrupção, peculato, falsidade ideológica e comércio ilegal de armas de fogo no Oeste do Estado.
As investigações atingem nove policiais militares e um policial civil suspeitos de integrar a organização criminosa. As ações foram coordenadas pelos núcleos do Gaeco de Cascavel e Foz do Iguaçu, com apoio do 6º Batalhão da Polícia Militar e das Corregedorias das Polícias Militar e Civil do Paraná.
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nos municípios de Céu Azul e Vera Cruz do Oeste. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar do Paraná e pelo Juízo das Garantias da Comarca de Matelândia.
Durante a operação, equipes apreenderam aparelhos celulares, documentos, computadores e outros dispositivos eletrônicos que agora passarão por análise técnica. O objetivo é aprofundar o rastreamento financeiro do grupo, identificar outros envolvidos e localizar possíveis valores obtidos ilegalmente.
Segundo o Gaeco, as investigações apontam que os policiais utilizavam a estrutura pública e viaturas oficiais para abordar compristas vindos do Paraguai. Conforme apurado, mediante pagamento de propinas previamente combinadas, os agentes garantiriam “passe livre” para o transporte de mercadorias estrangeiras.
Além disso, o grupo é suspeito de desviar parte dos produtos apreendidos durante as fiscalizações, principalmente eletrônicos de alto valor, deixando de encaminhar os itens aos órgãos competentes e se apropriando das mercadorias.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a estrutura tecnológica utilizada pelo esquema. De acordo com o Ministério Público, a organização fazia uso de drones de alta performance e câmeras clandestinas instaladas em rotas rurais, postos de combustíveis e até nas proximidades da Aduana Brasileira.
Com o sistema de monitoramento, os investigados conseguiam acompanhar em tempo real a movimentação de compristas, equipes policiais e ações de fiscalização aduaneira na região de fronteira.
As investigações também revelaram suspeitas de utilização irregular da estrutura policial para prestação de segurança privada armada em uma propriedade rural localizada no estado da Bahia. O grupo ainda é investigado pela intermediação e comércio ilegal de armas e munições, negociadas por meio de aplicativos de mensagens.
O Gaeco informou que as apurações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.
Fonte: Umuarama News

















