Notícias da Região | Operação Gamorra
Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
Gaeco prende presidente da Câmara e secretário de Cultura de Xambrê na Operação Gamorra
Promotor Guilherme Franchi confirma prisões de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota; investigação apura crimes contra ao menos 16 vítimas
A Operação Gomorra atingiu diretamente os poderes Legislativo e Executivo de Xambrê nesta sexta-feira (11). O coordenador do Núcleo de Umuarama do Gaeco, promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva Santos, confirmou as prisões de Edinalvo Lima Venturi, vice-presidente da Câmara e responsável pela condução do Legislativo, e de Pedro Henrique da Silva Mota, então secretário municipal de Cultura.
As duas prisões ocorreram em cumprimento a mandados de prisão preventiva expedidos pelo Juízo de Garantias de Xambrê. A ofensiva é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, em ação integrada com a Polícia Civil, por meio da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama.
Edinalvo vinha conduzindo a Câmara na condição de vice-presidente diante do afastamento do então presidente Ademir Leite da Silva. O próprio Regimento Interno estabelece que cabe ao vice-presidente substituir o presidente em suas ausências ou impedimentos.
A Operação Gomorra apura possíveis crimes de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo criança ou adolescente. Segundo o Ministério Público, as investigações apontam, em tese, para fatos praticados contra ao menos 16 vítimas.
Além das duas prisões preventivas, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal. Durante as diligências, houve ainda uma prisão em flagrante por posse ilegal de munições. Documentos, anotações e celulares foram recolhidos e serão submetidos a perícia.
Horas após a operação, a Prefeitura de Xambrê oficializou a exoneração de Pedro Henrique da Silva Mota do cargo de secretário municipal de Cultura, com efeitos a partir desta sexta-feira (11).
Em nota oficial, o prefeito Décio Jardim afirmou que o Executivo somente tomou conhecimento nesta sexta-feira dos fatos atribuídos ao então secretário e que, anteriormente, a administração municipal não tinha conhecimento das informações agora divulgadas.
A Prefeitura acrescentou que os fatos deverão ser apurados pelas autoridades competentes, garantindo ao investigado o direito à ampla defesa e ao contraditório. O Executivo afirmou ainda que não cabe à administração antecipar qualquer julgamento sobre as acusações.
Sobre a situação envolvendo a Câmara, a nota ressalta que Prefeitura e Legislativo são poderes independentes e que o Executivo não possui controle ou ingerência sobre as decisões e condutas atribuídas à presidência da Casa.
A Operação Gomorra nasceu de elementos encontrados em materiais apreendidos durante a Operação Res Privata, deflagrada em 4 de março. Segundo o MPPR, a análise revelou indícios de outros possíveis crimes e abriu uma nova frente investigativa.
Com as prisões e a apreensão dos equipamentos eletrônicos e documentos, a investigação entra agora em uma nova etapa. O material recolhido será analisado para esclarecer a extensão dos fatos e individualizar eventuais responsabilidades. Os investigados têm direito à presunção de inocência, e as acusações ainda dependem da apuração e do devido processo legal.
Fonte: Umuarama News

















