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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026

Golpe contra revendedoras de semijoias faz novas vítimas no Oeste do Paraná

Suspeito entrega mercadorias consignadas, recolhe notas promissórias assinadas e depois cobra judicialmente

Um golpe que já havia sido denunciado pela CATVE em 2023 voltou a acender o alerta no Paraná. Conhecido como "Golpe da Promissória", o esquema agora também faz vítimas em Marechal Cândido Rondon, mas já deixou um rastro de prejuízos em Cascavel e outras cidades da região.

Na época, a equipe da CATVE entrevistou uma vítima de Cascavel que relatou ter sido surpreendida com cobranças judiciais mesmo após quitar e devolver toda a mercadoria recebida.

O suspeito é descrito como um homem de boa aparência, comunicativo e insistente, que costuma abordar mulheres, principalmente cabeleireiras, diaristas e outras profissionais autônomas, oferecendo estojos de semijoias para revenda.

A proposta parece vantajosa: a pessoa recebe os produtos consignados, vende as peças e fica com cerca de 30% de lucro, sem necessidade de investimento inicial.

No entanto, para "garantir" a entrega da mercadoria, ele exige a assinatura de notas promissórias, muitas vezes preenchidas parcialmente ou até em branco.

Como funciona o golpe
Mesmo após a devolução das peças ou o pagamento integral dos valores, o homem não devolve a promissória, alegando que esqueceu, perdeu ou que faria isso depois.

Meses ou até anos mais tarde, as vítimas são surpreendidas com ações judiciais de cobrança, em que ele apresenta os documentos como se a dívida nunca tivesse sido quitada.

Em alguns casos, há suspeita até mesmo de falsificação de assinaturas.

Os valores cobrados costumam variar entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, mas há relatos de prejuízos ainda maiores, com bloqueio de contas bancárias e até perda de veículos.

Caso em Marechal Cândido Rondon
Uma cabeleireira de Marechal Cândido Rondon contou que aceitou o estojo por insistência, mas, como não tinha o costume de vender, devolveu todas as peças intactas cerca de 30 dias depois.

Ela acreditava que o assunto estava encerrado, já que não houve venda nem débito. Porém, cerca de um ano depois, recebeu uma cobrança judicial exigindo o valor total do mostruário que já havia sido devolvido.

Centenas de vítimas
Segundo informações apuradas, somente em Cascavel cerca de 20 mulheres já registraram denúncias na 15ª Subdivisão Policial. Em toda a região, o número de vítimas pode ultrapassar 750 pessoas.

Advogados que acompanham os casos relatam que o suspeito chega a fotografar os veículos das vítimas para indicar à Justiça bens passíveis de penhora.

Orientação
A Polícia Civil orienta que qualquer pessoa que tenha passado por situação semelhante procure a delegacia e registre boletim de ocorrência.

A principal recomendação é nunca assinar notas promissórias em branco e exigir a devolução física do documento no momento da quitação da dívida ou devolução da mercadoria.

Fonte: Gabi Lira | Catve.com com Aqui Agora Net

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