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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026

Golpe no Grindr: quatro pessoas são presas no Paraguai suspeitas de marcar falsos encontros para extorquir homens gays

Operação cumpriu três mandados de busca em Cidade do Leste e apreendeu celulares. Brasileiros estão entre as principais vítimas.

Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (20) durante uma operação contra um grupo suspeito de atrair vítimas por meio de aplicativos de namoro para assaltá-las e sequestrá-las em Cidade do Leste, no Paraguai. Entre os detidos está um adolescente.

A operação, chamada “Falso Match”, cumpriu três mandados de busca no bairro San Rafael, onde, segundo as investigações, o grupo criminoso atuava. Os policiais apreenderam celulares, roupas e porções de maconha prontas para comercialização.

Entre os adultos presos estão Severiano Flores, Alexis Vicente Saavedra e Guillermina Dolores Moreno Caballero. A identidade do adolescente não foi divulgada.

O g1 tenta contato com a defesa dos presos.

Segundo a investigação, o grupo utiliza principalmente o aplicativo Grindr para marcar encontros com as vítimas. Os alvos são, em sua maioria, estrangeiros, incluindo brasileiros e europeus.

Procurado pelo g1, o Grindr não se manifestou até a última atualização esta reportagem.

Após o encontro, as vítimas eram cercadas por homens armados, assaltadas e, em alguns casos, mantidas em cativeiro por várias horas.

Os criminosos também obrigariam as vítimas a transferir dinheiro por meio do Pix, de acordo com a polícia paraguaia.,

Francês ficou mais de 24 horas em cativeiro
Um dos casos mais recentes investigados envolve um cidadão francês que estava hospedado em um hotel em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

Ele marcou um encontro em Cidade do Leste e foi buscado de motocicleta. Ao chegar ao local combinado, foi cercado por cerca de oito a dez homens armados.

Segundo a investigação, o francês foi levado até uma área às margens do Rio Paraná, onde permaneceu mais de 24 horas em poder dos criminosos. Ele foi obrigado a entregar cerca de 7 mil euros, o equivalente a aproximadamente R$ 40 mil.

Após ser libertado, o homem retornou ao Brasil e registrou a denúncia no aeroporto.

Em outro caso recente, um paranaense que estava a trabalho na região também marcou um encontro pelo Grindr e acabou assaltado.

O homem, que não será identificado por questões de segurança, contou ao g1 que atravessou a fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste para encontrar um homem com quem conversava pelo aplicativo de relacionamentos.

Em vez de seguir para o local combinado, ele foi levado para uma área de mata, onde permaneceu em cativeiro por mais de 12 horas, sob agressões e ameaças de morte. Ele afirma ter perdido cerca de R$ 100 mil.

Fotos ajudaram investigação
A polícia afirma que uma estratégia simples usada por pessoas que acompanhavam uma das vítimas ajudou na identificação dos suspeitos.

No caso do cidadão francês, os acompanhantes fotografaram a motocicleta que foi buscá-lo antes do encontro. As imagens ajudaram os investigadores a identificar integrantes do grupo.

A polícia passou a recomendar que pessoas que marcam encontros por aplicativos adotem medidas de segurança, como compartilhar informações sobre o local e a pessoa com alguém de confiança e registrar características do veículo usado para buscá-las.

Dinheiro era transferido por Pix
Segundo as denúncias analisadas pela polícia, os criminosos utilizavam contas bancárias para receber as transferências feitas pelas vítimas.

O comissário Nimio Cardozo, chefe da Polícia Nacional do Paraguai. afirmou que a localização e o rastreamento das movimentações financeiras podem ajudar nas investigações, mas o acesso aos dados bancários pode levar tempo quando envolve contas dos dois países.

"Por questões de tratados internacionais, vai tomar um tempo", afirmou.

As investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo e esclarecer a participação de cada um nos crimes.

Polícia paraguaia diz que crimes do tipo contra brasileiros são comuns
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, crimes como este são conhecidos e acontecem principalmente no bairro San Rafael, em Cidade do Leste.

De acordo com o policial paraguaio Donato Escobar, o golpe segue um roteiro.

"O modo de agir desses criminosos é buscar as vítimas em algum ponto da cidade e levá-las ao bairro San Rafael, onde há cúmplices. Lá, elas são obrigadas a fazer transferências bancárias e, em alguns casos, empréstimos", afirmou.

O policial disse ainda que, sozinho, atendeu cerca de 20 ocorrências semelhantes nos últimos anos e que aproximadamente 95% das vítimas são brasileiras. Apenas neste ano, oito casos foram registrados na delegacia responsável pela região.

Fonte: G1

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