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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
Grupo planejava explodir Planalto e atacar debate do 2º turno, diz PCDF
Polícia Civil do Distrito Federal identificou homens que discutiam ataques contra prédios públicos e políticos em grupos do Telegram. Investigação encontrou manuais de explosivos, mapas de órgãos federais, conteúdo neonazista e planos para atingir o Palácio do Planalto e um debate eleitoral.
Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) discutia pela internet a realização de ataques contra autoridades e prédios públicos em Brasília. Entre os alvos mencionados estavam o Palácio do Planalto e o local onde seria realizado um debate entre os candidatos que chegassem ao segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Os investigados não se conheciam pessoalmente e mantinham contato por meio do Telegram. As conversas passaram a ser acompanhadas com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública depois que o Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, identificou indícios de preparação de ações violentas.
Grupo discutia explosivos e possíveis alvos em Brasília
O material analisado pelas autoridades mostra que os integrantes avançaram além da troca de mensagens de ódio. Eles compartilhavam orientações para fabricar explosivos e coquetéis molotov, faziam cálculos sobre quantidade de material e custos e buscavam identificar participantes dispostos a executar atos violentos.
Em uma das mensagens, um participante sugeriu que fossem listados "os principais alvos para garantir o sucesso da revolução". Em outra, integrantes discutiam que os adversários dificilmente estariam reunidos em um único local.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou ao Fantástico que o conteúdo demonstrava risco concreto.
"Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios", declarou.
Planta do Palácio do Planalto estava entre materiais compartilhados
A investigação encontrou referências a diferentes pontos estratégicos de Brasília. Foram compartilhados mapas dos ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os investigadores também localizaram uma planta do Palácio do Planalto. Segundo o delegado responsável pelo caso, o material era usado pelos participantes para discutir possíveis acessos e rotas de saída do prédio.
O Planalto aparecia como um dos principais alvos. A avaliação das autoridades é que os integrantes buscavam não apenas provocar destruição, mas também produzir um ato de impacto nacional com caráter violento e antidemocrático.
Mais de 600 pessoas estavam em grupo no Telegram
As autoridades identificaram dois níveis de participação. Um dos grupos reunia mais de 600 integrantes. Usuários considerados mais radicalizados eram direcionados a um segundo espaço, restrito a 46 participantes.
Nesse grupo menor, o conteúdo incluía instruções práticas para ações violentas. Um dos perfis utilizava uma imagem de Adolf Hitler. O Ciberlab também identificou manifestações neonazistas, racistas, misóginas e homofóbicas.
Somente em 2026, o laboratório produziu 103 relatórios envolvendo mais de 50 grupos de ódio monitorados no ambiente digital.
Operação cumpriu mandados em cinco estados
A PCDF cumpriu, na terça-feira (4), oito mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Oito homens, com idades entre 19 e 31 anos, estavam entre os alvos da operação.
Celulares e equipamentos de informática foram recolhidos e serão submetidos à perícia. Nenhum explosivo foi encontrado durante as buscas.
Os investigados respondem por suspeitas de associação criminosa, incitação ao crime, apologia e distribuição de material nazista. A apuração continua com a análise dos dispositivos apreendidos.
A investigação busca agora determinar até que ponto os planos haviam avançado e qual era a capacidade dos envolvidos de transformar as discussões virtuais em ataques concretos.
Fonte: Notícias ao Minuto

















