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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

Mudança em atribuições de cargos do INSS gera insatisfação e receio de fila maior

A medida pode impedir a atuação dos analistas do seguro social, carreira minoritária no órgão, mas que tem atuado na avaliação dos pedidos num momento de alta da fila, que chegou a 3,03 milhões em dezembro, segundo os últimos dados divulgados pela Previdência

Uma mudança na atribuição de cargos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) proposta pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Jr., gerou a insatisfação de parte dos servidores e o receio de que a medida possa atrapalhar os esforços de redução da fila de segurados à espera de benefícios.

A minuta de decreto, enviada ao Ministério da Previdência Social, torna as ações de análise de requerimentos, revisões, demandas judiciais, alterações cadastrais e demais tarefas ligadas ao reconhecimento de direitos uma atividade exclusiva dos técnicos do seguro social.

A medida pode impedir a atuação dos analistas do seguro social, carreira minoritária no órgão, mas que tem atuado na avaliação dos pedidos num momento de alta da fila, que chegou a 3,03 milhões em dezembro, segundo os últimos dados divulgados pela Previdência.

No decreto atualmente em vigor, análises de processos e atividades inerentes ao reconhecimento de direitos previdenciários são tarefas comuns às duas carreiras.

A proposta de mudança gerou reação da Anaseg (Associação Nacional dos Analistas do Seguro Social), que solicitou a paralisação imediata da tramitação da minuta de decreto.

"A proposta atual, ao promover a exclusividade das atividades finalísticas ao cargo de técnico, ignora alertas críticos das áreas de gestão e ameaça colapsar o atendimento previdenciário em um momento de filas crescentes", alerta o presidente da entidade, Jorge Og de Vasconcelos Jr., em ofício encaminhado a Waller Jr.

Segundo ele, os analistas são responsáveis por 10,1% dos processos de reconhecimento inicial de direitos concluídos pelo instituto, o equivalente a 60,4 mil análises por mês.

"A simulação do impacto indica que o INSS perderia a capacidade de processar mais de 720 mil benefícios por ano, o que levaria a um represamento insustentável e ao aumento exponencial da judicialização", diz no documento.

Já a CNTSS (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social) comemorou o andamento da minuta de decreto.

"A iniciativa demonstra um avanço para o encaminhamento da medida, que sempre esteve na pauta de prioridades da confederação", diz a entidade, em nota. Para ela, a mudança representa um passo importante na reestruturação das carreiras.

Nos bastidores, integrantes do INSS veem a pressão dos técnicos como uma forma de fortalecer a categoria para a reivindicação de outros pleitos, como a exigência de nível superior para o cargo e valorização salarial.

O MGI (Ministério da Gestão e da Inovação), responsável pela política de pessoal do Executivo federal, não se manifestou até a publicação deste texto.

Hoje, o órgão tem 13.803 técnicos do seguro social, de acordo com o Painel Estatístico de Pessoal do Executivo federal. Trata-se de uma carreira de nível médio, com salários entre R$ 4.454,71 e R$ 7.439,42, sem considerar funções ou gratificações.

Já a carreira de analista é de nível superior, com remunerações entre R$ 6.831,11 e R$ 10.655,50. O INSS tem 3.985 servidores nessa posição.

Procurado, o instituto disse que a proposta de decreto tem como objetivo regulamentar a lei que trata da carreira do seguro social (que engloba tanto os técnicos quanto os analistas).

Uma mudança aprovada em 2025 pelo Congresso Nacional estipulou que a análise dos requerimentos é uma atribuição específica dessa carreira, mas sem delimitar quais cargos poderiam ou não exercer a atividade.

"Historicamente, os analistas do seguro social possuem formação específica para ocupar funções pré-determinadas, porém, devido a uma contratação excepcional no passado de cerca de 700 profissionais sem formação específica, houve um sombreamento de atribuições, já que este grupo atua diretamente na análise e concessão de benefícios", diz o INSS, em nota.

"Para garantir o pleno atendimento aos segurados e dar mais certeza aos servidores sobre suas atribuições, a minuta define competências exclusivas para os técnicos, mas estabelece uma regra de transição para os analistas que já realizam essas atividades. Dessa forma, a medida assegura a manutenção da força de trabalho e organiza as funções internas com segurança jurídica, sem risco de interrupção ou represamento dos serviços prestados à sociedade", acrescenta.

Pela minuta de decreto, os analistas ficariam com as atribuições ligadas à contabilidade pública do INSS, à formulação de políticas previdenciárias, ao controle e monitoramento e receitas e à avaliação social em programas de reabilitação profissional.

O Ministério da Previdência Social informou que recebeu a proposta e vai debatê-la no âmbito do Comitê Gestor da Carreira do Seguro Social, criado em outubro do ano passado. Os integrantes do colegiado foram nomeados no último dia 22 de janeiro de 2026.

Fonte: Notícias ao Minuto

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