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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026
Paranaense com sintomas de ‘morte cerebral’ volta para casa após 214 dias na UTI
Correio do Ar
Após 214 dias (mais de sete meses) internada na UTI devido a uma doença grave, rara e misteriosa, uma paranaense de 68 anos está passando as primeiras 24 horas em casa, em Iporã, no Norte do estado.
Conceição Aparecida Gomes saiu da unidade intensiva no fim da tarde de quinta-feira (29), e nesta sexta (30) vive um dia de emoção, gratidão e comemoração. A alta médica encerrou uma longa e delicada batalha contra a Encefalite de Bickerstaff, uma doença inflamatória rara que a deixou em estado gravíssimo e com sinais semelhantes aos de morte cerebral.
A saída do Hospital Cemil, em Umuarama, foi celebrada com um corredor humano formado por profissionais da saúde, familiares e balões, simbolizando a vitória após 225 dias de internação — sendo 214 deles na UTI. Mesmo ainda com traqueostomia e dificuldade para falar, Conceição demonstrou felicidade e ansiedade para reencontrar a família e retomar a rotina em casa.
A doença teve início após um processo infeccioso provocado pela febre chikungunya e exigiu um diagnóstico complexo, confirmado apenas no oitavo dia de internação. Durante semanas, o quadro clínico indicava possível morte encefálica, até que exames mais aprofundados e o trabalho de uma equipe médica multidisciplinar identificaram a encefalite rara, considerada uma variação da síndrome de Guillain-Barré.
O tratamento incluiu imunoglobulina intravenosa e um longo período de suporte intensivo. A recuperação foi lenta, com diversas intercorrências, como infecções, reações alérgicas e até uma parada cardiorrespiratória, revertida pela equipe médica. Os primeiros sinais de melhora surgiram no 12º dia de internação, quando Conceição conseguiu mexer a cabeça após ouvir a voz de um dos filhos.
Ao longo de mais de sete meses, os três filhos se revezaram diariamente nas visitas, mantendo presença constante e apoio emocional. A dedicação da família foi destacada pela equipe médica como fundamental no processo de recuperação.
De volta para casa, Conceição encontrou um ambiente preparado com cama hospitalar, equipamentos de apoio e o acompanhamento de uma cuidadora. Apesar de ainda não conseguir andar e precisar de reabilitação física, ela apresenta mobilidade preservada e segue em recuperação gradual.
Entre sorrisos e lágrimas, a alta médica simbolizou não apenas o fim de uma longa internação, mas o recomeço de uma nova etapa, marcada por fé, superação e gratidão à vida.
Fonte: CGN

















