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Segunda-feira, 25 de Maio de 2026
Produtor gaúcho investe na melhoria do solo para amenizar efeitos de estiagens
Correio do Ar
No estado brasileiro mais afetado por fenômenos climáticos nos últimos seis anos, alguns produtores estão dando mais atenção à qualidade do solo. Leandro Soncini faz coleta, análise e correções de solo todos os anos na área em que cultiva soja e arroz no município gaúcho de Dom Pedrito, na região da Campanha, a 20 quilômetros da fronteira com o Uruguai. Nas partes mais altas da lavoura ele utiliza cinco pivôs para irrigar 400 hectares enquanto nas áreas mais baixas faz rodízio de soja e arroz. Ele aproveita a estrutura de bombas e canais do arroz para levar água à soja plantada em sistema de sulco e camaleão. Como ele suavizou as coxilhas, a irrigação por gravidade alcança de 70 a 80% dos talhões. A soja ocupa a parte superior das linhas e consegue absorver a água que corre pelos sulcos.
Com a repetição de estiagens nos últimos anos, Soncini decidiu ampliar as áreas com plantas de cobertura para segurar a umidade por mais tempo no verão. Para isso, a aveia e o azevém ganharam a companhia de ervilha, centeio e nabo. Ele quer testar a capacidade dessas três últimas plantas de tolerar frio e umidade, mas isso só pode ser feito nas áreas um pouco mais altas. "Nossas terras são muito baixas. Não é qualquer pastagem que suporta frio e umidade em excesso", explica. Antes de formar palhada, essas plantas servem de pastagem para 1.500 bovinos. Soncini engorda de 400 a 500 animais da raça Angus por ano.
Com o conjunto de medidas, Soncini espera amenizar o impacto das estiagens. "Sofremos muito com as secas", lembra o produtor. Na safra passada, por exemplo, o rendimento da soja ficou em 44 sacas/hectare. Na seca histórica de 2022, foi ainda pior: apenas 38 sacas/hectare. Para a safra 2025/26, plantada entre 28 de outubro e 5 de janeiro, Leandro calcula médias de 40 sacas nas áreas não-irrigadas e de 80 sacas nos talhões com irrigação.
INÍCIO DIFÍCIL
As dificuldades não são novidade para os Soncini. Neimar, o pai de Leandro, trocou uma propriedade de 30 hectares onde vivia com mais nove irmãos e os pais em Faxinal do Soturno, na região Central do Rio Grande do Sul, por áreas mais planas em Dom Pedrito entre os anos de 1969/70. Parte dos pertences foi acomodada sobre um reboque puxado por um trator Fordson Major.
A viagem foi uma proeza inimaginável para os dias atuais. Neimar rodou com o pequeno trator todos os 350 quilômetros entre as duas cidades. Começou trabalhando como peão de outros produtores e mais tarde arrendou terras. "A gente não tinha recurso para nada, mal para comer. Nem dá para dizer que começamos do zero porque começamos com dívidas", lembra o pai. Ele faz questão de manter viva a história para que sirva de exemplo aos mais novos.
Segundo Neimar, muita gente foi para a Campanha nessas condições. Era bastante comum migrar para regiões pouco exploradas. Aos poucos, à base de sacrifício e força de vontade, as condições foram melhorando e eles passaram a comprar áreas. Leandro terminou o colégio agrícola e foi trabalhar com o pai em 1990.
Hoje, a Agropecuária Soncini é uma holding (empresa administradora) com 4.800 hectares próprios. A família cultiva aproximadamente seis mil hectares entre áreas próprias e arrendadas. Para dar conta de tantas tarefas, Leandro conta com o auxílio dos dois filhos agrônomos, Thiago e Mariana, e da irmã Luciana.
O pai Neimar, agora com 79 anos, gosta de trocar ideias sobre as atividades e os negócios. "Ele é meu parceiro até hoje", conta Leandro, com um tom de reconhecimento aos ensinamentos do pai. Aliás, dos ensinamentos que aprendeu é que a natureza é soberana, mas que o produtor tem que fazer o que está ao seu alcance. "A enchente e a seca sempre vêm, sempre estamos sujeitos às intempéries. O mínimo que temos que fazer é uma boa cobertura de solo, boa drenagem nas áreas baixas, calagem, uso de sulco e camaleão quando possível. Dá para amenizar os efeitos da seca", assegura.
RAIO X
Agropecuária Soncini
Local: Dom Pedrito (RS)
Área: 4.800 hectares
Grãos: soja e arroz
Pecuária: raça Angus
Assessoria
Neimar, a esposa e o inseparável chimarrão
Família Soncini: o pai Neimar (de chapéu), o filho Leandro e os netos Tiago e Mariana: três gerações na Campanha gaúcha

















