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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026
Moro escala Zado no Oeste, cercado por PT e governistas
Correio do Ar
O senador Sergio Moro (PL) escalou o produtor rural, empresário e ex-prefeito de Santa Helena Evandro Miguel Grade, o Zado (PL), para uma missão que ultrapassa sua candidatura a deputado estadual: segundo apuração do Blog do Esmael, ele virou uma das peças da campanha do ex-juiz para disputar o eleitorado do extremo Oeste do Paraná, território onde petistas, progressistas e governistas também colocaram seus jogadores em campo.
Na linguagem do futebol, Zado é o atacante que Moro pretende lançar sobre uma defesa congestionada.
Professor Lemos (PT), Nelsi Welter (PT) e Fernando Duso (PV) formam parte da linha progressista. Gugu Bueno (PSD) e Paulo Mac Donald (PP) atuam no campo governista de Sandro Alex (PSD). Mais atrás, a chapa de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado ainda colocou o empresário Assis Gurgacz Neto (PDT), de Cascavel, como primeiro suplente.
Zado concorre à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pelo PL. Empresário, foi eleito duas prefeito de Santa Helena, depois de ter exercido os mandatos de vice-prefeito e vereador. Também presidiu o Conselho de Municípios Lindeiros ao Lago Itaipu.
Na engenharia eleitoral montada pelo grupo de Moro, Zado também se transformou, segundo a apuração do Blog, na principal dobrada regional de Rosângela Moro (PL), mulher do candidato ao Palácio Iguaçu, que disputa uma cadeira de deputada federal pelo Paraná.
A missão é dupla. Além de buscar votos para sua própria candidatura, Zado recebeu, segundo a apuração do Blog, a incumbência de ampliar as pontes de Moro com produtores rurais, empresários e cooperativas do Oeste.
É justamente aí que começa o congestionamento.
Zado encontra uma defesa montada no Oeste
Rosângela Moro, candidata a federal, é a principal dobrada de Zado na região Oeste. Foto: reprodução
No campo ligado a Requião Filho (PDT), o deputado estadual Professor Lemos (PT) tem trajetória política vinculada a Cascavel e à organização sindical dos trabalhadores da educação.
Outra candidatura petista aparece nesse mesmo corredor eleitoral.
A também professora Nelsi Welter (PT), de Toledo, disputa uma vaga na Alep e integra o campo político que apoia Requião Filho ao governo.
Ou seja, Zado não enfrenta apenas um marcador no campo progressista.
A região de Toledo ganhou outra candidatura diretamente vinculada ao projeto eleitoral de Requião Filho.
Em Foz do Iguaçu aparece Fernando Henrique Triches Duso, o Duso (PV), também candidato a deputado estadual. Duso integra o Partido Verde, legenda que compõe com PT e PCdoB a Federação Brasil da Esperança.
Duso tem base política em Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira. Sua candidatura acrescenta mais um nome do campo progressista na disputa territorial do Oeste.
Do outro lado do campo está a estrutura governista.
Gugu Bueno (PSD), primeiro-secretário da Alep, é uma das principais referências da campanha de Sandro Alex na região de Cascavel e integra a engrenagem política do grupo de Ratinho Junior.
Em Foz do Iguaçu, o ex-prefeito Paulo Mac Donald Ghisi (PP) reforça a mesma defesa.
Mac Donald é candidato a deputado estadual pelo Progressistas e constrói sua campanha a partir de uma forte identificação política com Foz do Iguaçu e a região da Tríplice Fronteira.
Nesse desenho, Duso e Paulo Mac Donald colocam candidaturas de campos distintos dentro da própria área da Tríplice Fronteira, acrescentando uma disputa local ao confronto estadual.
O mapa mostra o tamanho do desafio reservado a Zado.
Em Cascavel, ele encontra Lemos pelo campo progressista e Gugu Bueno pelo governismo. Em Toledo, Nelsi Welter ocupa espaço no campo de Requião Filho. Em Foz do Iguaçu, Duso reforça a presença progressista, enquanto Paulo Mac Donald atua no bloco governista.
E ainda há Gleisi Hoffmann.
Mas, como diria Odorico Paraguaçu, personagem de O Bem-Amado: no entanto, entretanto, porém.
A candidata petista ao Senado também colocou uma peça pesada no tabuleiro do Oeste.
Gleisi tem como primeiro suplente o empresário Assis Gurgacz Neto (PDT), de Cascavel.
A escolha acrescenta à candidatura da petista uma conexão política e empresarial com uma das regiões mais disputadas do Paraná.
Há ainda a presença da Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, com forte peso econômico e institucional sobre o Oeste por meio de investimentos, programas ambientais, infraestrutura e iniciativas de desenvolvimento regional.
Essa presença objetiva não permite concluir qualquer transferência automática de votos para candidatos ligados ao governo federal, mas ajuda a explicar por que Foz do Iguaçu e seu entorno têm importância política muito superior ao número de eleitores da cidade isoladamente.
É nesse terreno povoado que Moro tenta transformar Zado em sua ponta de lança.
Segundo a apuração do Blog, o ex-prefeito de Santa Helena também recebeu a tarefa de abrir canais com o agro e o cooperativismo regional, dois dos setores economicamente mais relevantes do Oeste.
Para Moro, o interesse eleitoral pela região vai muito além de uma eleição para a Alep.
Segundo a apuração do Blog, o comando político da campanha considera o Oeste estratégico na reta final da disputa pelo Palácio Iguaçu. A avaliação interna é que uma votação expressiva nessa região poderia contribuir para a tentativa de encerrar a eleição no primeiro turno.
Trata-se de uma leitura da campanha de Moro, não de uma conclusão das pesquisas nem de uma previsão sobre o resultado de 4 de outubro.
Pesquisas deixam tamanho da vantagem de Moro em aberto
Os três levantamentos divulgados nesta quinta-feira, 24 de setembro, ajudam a explicar por que a disputa territorial ganhou importância.
A Neokemp registrou Moro com 48,7%, Requião Filho com 25,9% e Sandro Alex com 20,8%. Foram ouvidos 1.008 eleitores em 215 municípios nos dias 22 e 23 de setembro, sob o registro PR-07451/2026.
O Índice Inteligência apresentou cenário diferente: Moro marcou 35%, Sandro Alex 32% e Requião Filho 20%. A diferença entre Moro e Sandro está dentro da margem de erro de 2,83 pontos percentuais. O instituto entrevistou 1.200 eleitores entre 19 e 21 de setembro, sob o registro PR-06638/2026.
A Quaest mostrou Moro com 36%, enquanto Requião Filho e Sandro Alex registraram 20% cada. Foram entrevistados 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e registro PR-02802/2026.
Moro aparece numericamente na frente nos três levantamentos, mas a dimensão dessa vantagem varia consideravelmente entre os institutos. As pesquisas medem amostras eleitorais dentro de margens de erro e não antecipam o resultado das urnas.
A próxima comparação relevante virá da Paraná Pesquisas.
O instituto registrou nova rodada com 1.280 entrevistas previstas entre 25 e 27 de setembro, margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A divulgação está autorizada para segunda-feira, 28 de setembro, sob o registro PR-02701/2026.
Na rodada anterior da Paraná Pesquisas, publicada em 18 de setembro, Moro tinha 44,7%, Requião Filho 23% e Sandro Alex 19,7%. A nova pesquisa permitirá observar a evolução dentro da série do mesmo instituto, comparação mais adequada do que confrontar diretamente números produzidos por empresas diferentes.
Será a chamada prova dos nove da reta final.
Até lá, o Oeste virou uma eleição dentro da eleição.
Moro joga Zado ao ataque. Requião Filho tem Lemos e Nelsi Welter ocupando espaços importantes, enquanto Duso acrescenta presença progressista na Tríplice Fronteira. Sandro Alex responde com Gugu Bueno em Cascavel e Paulo Mac Donald em Foz do Iguaçu.
Gleisi ainda planta Assis Gurgacz Neto na chapa ao Senado.
A chamada arma secreta de Moro, portanto, está cercada.
Evidentemente, esse mapa não esgota a disputa. Tanto a direita quanto a esquerda e o centro têm outros atores relevantes concorrendo à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados no Oeste do Paraná. Esses nomes, alianças e dobradas serão objeto de uma nova matéria do Blog do Esmael.
O Blog também vai ampliar esse xadrez para as demais regiões do estado, mostrando quem são os principais operadores locais das chapas ao governo, ao Senado, à Câmara Federal e à Alep na reta final da eleição.
Se Zado conseguirá romper a marcação no Oeste e transformar presença regional em votos para Moro, a resposta pertence ao eleitor em 4 de outubro.
Fonte: Blog do Esmael

















