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Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
Pai, recém-casado e com sonho de morar nos EUA: quem era o empresário morto por engano em barbearia no Paraná
Crime foi registrado por câmeras de segurança. Hugo Gabriel Moll tinha 39 anos, chegou na barbearia 10 segundos após saída do verdadeiro alvo e foi confundido com ele por atirador.
O empresário Hugo Gabriel Moll, que foi morto por engano em uma barbearia de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, atuava no ramo da construção civil. Ele completou 39 anos 10 dias antes de falecer.
Segundo a mãe dele, Osvaldina Moll, Hugo se casou no dia 30 de maio, 20 dias antes de ser assassinado. Com a esposa, com quem já tinha um relacionamento de 20 anos, o empresário deixou um filho de 12 anos.
Segundo a polícia, ele não tinha histórico de passagem por nenhum crime.
Hugo também tinha o sonho de morar nos Estados Unidos e estava se preparando para mudar com a família dentro de dois anos.
Segundo a mãe, o empresário também era apaixonado por encontro de carros. No dia em que foi morto, ele parou por acaso na barbearia para se arrumar para viajar com o filho a Londrina, no norte do Paraná, onde participaria do Armageddon, evento de arrancada que reúne os carros mais rápidos do Brasil, da Argentina e do Paraguai.
"Ele tinha ido fazer a barba, mas nunca tinha ido nessa barbearia; o barbeiro dele não tinha horário. Como a gente tem obra que a gente constrói para esse lado, com certeza ele viu que ali só tinha uma pessoa na barbearia e decidiu ir", afirmou a mãe.
Osvaldina conta que Hugo era um verdadeiro companheiro e sempre estava preocupado com o bem-estar da família. Com a morte do filho, ela espera que a justiça seja feita.
"É muito difícil. Não tenho mais vida. Ele era meu companheiro, meu parceiro, um filho maravilhoso, inteligente. Um menino que nunca teve briga, nunca teve confusão, com coração grande. Se ele tivesse R$ 100 e você e pedisse para ele, ele te dava o último real. Um menino exemplar e trabalhador. Só ficaram a saudade e boas lembranças", disse a mãe.
Empresário foi morto por engano
A Polícia Civil concluiu que Hugo foi morto por engano. Nas imagens das câmeras de segurança, é possível ver que o verdadeiro alvo saiu com o carro cerca de 10 segundos antes de o empresário chegar de caminhonete.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (28), após a prisão de cinco suspeitos de envolvimento no assassinato.
O crime aconteceu no dia 19 de junho na Avenida Pedro Wosgrau, Bairro Cará-Cará.
O empresário estava cortando a barba quando um homem armado invadiu o estabelecimento, já atirando. Hugo foi atingido na cabeça e morreu na hora. No local estavam ele e o barbeiro, João Victor Pereira, que foi baleado no tórax, passou mais de 20 dias internado e está se recuperando em casa.
Verdadeiro alvo era envolvido com tráfico de drogas
Segundo o delegado Luis Gustavo Timossi, o verdadeiro alvo do crime era um homem envolvido com tráfico de drogas que havia acabado de sair da barbearia e não teve o nome divulgado.
Para Timossi, o empresário Hugo foi confundido com o verdadeiro alvo dos criminosos e o barbeiro foi baleado "em uma aparente tentativa dos executores de eliminar testemunhas no local”.
"A investigação, de extrema complexidade, exigiu o cruzamento analítico de diversos dados e informações coletados no curso das diligências, com análise de imagens obtidas através do sistema viário Muralha Digital, de câmeras de segurança e de perícias realizadas".
O delegado também detalhou a participação dos cinco presos nesta terça-feira (28):
- um homem de 34 anos foi identificado como organizador da ação. Ele possui anotações criminais por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal;
- um homem de 24 anos foi identificado como responsável pelo fornecimento de ponto de apoio aos demais, bem como pela cessão do armamento utilizado. Ele conta com histórico por homicídio, tráfico de drogas e receptação;
- um homem de 27 anos foi identificado como responsável pelo monitoramento do alvo e pela condução do veículo na fuga. Ele possui anotações criminais por tráfico de drogas;
- os outros suspeitos têm 25 e 19 anos. O delegado afirma que, "embora existam elementos indiciários de participação no crime", eles ainda não terão seu papel divulgado, "pois o caso demanda a realização de diligências complementares para a completa elucidação dos fatos".
Nenhum deles teve o nome divulgado.
Além dos cinco mandados de prisão temporária, a polícia também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos. Agora os itens apreendidos serão analisados para a conclusão do inquérito.
Fonte: G1

















